O ciclo económico recessivo que estamos a viver está, neste momento, a criar empresas vencedoras e vencidas, como resultado, entre outras razões, de diferentes modelos de gestão seguidos no passado, mas também tem provocado mudanças nas experiências e qualificações profissionais que se estão a pedir aos gestores empresariais. Surgem, deste modo, novos perfis profissionais que serão cada vez mais solicitados, se continuarmos nos próximos tempos em recessão, e que por outro lado deverá ser uns dos factores chave, que também contribuirão, em determinado momento, para a eventual mudança de ciclos.
Como é que estão a ser modificados os perfis com que temos estado a trabalhar nos últimos anos? Mais do que nunca, hoje, solicitam-se aos gestores uma forte capacidade de liderança e capacidade de negociação que ajude a reestruturar e reposicionar as empresas e diferentes negócios no mercado, e embora normalmente e não exclusivamente por via da aquisição, integração ou redução. Isto também permite muito mais foco (focalização) e acções concretas, que num passado recente, na área de gastos mais do que na área dos ganhos. Definitivamente, o grande motor que as fará sobreviver é a racionalização e a eficiência em vez da expansão ou a capacidade de seguir em frente. Naturalmente que não se pedirá a nenhum gestor que renuncie as oportunidades de crescimento empresarial que possam existir, mas agora seguir-se-ão com critérios de maximo realismo e prudência. Ao irrenunciável objectivo da maximização dum beneficio justo e adequado, o gestor deve consegui-lo hoje em dia mas através duma única linha de gastos do que através dos ganhos. Para tudo isto, torna-se necessária uma rápida capacidade de adaptação e integração num contexto económico radicalmente distinto ao que temos vivido num passado recente.
Os profissionais que compreendam estas mudanças e tendências, irão emergir e adaptar-se aos novos perfis solicitados pelo mercado, para os quais, sem dúvidas, terão que protagonizar também uma mudança significativa de atitude e mentalidade, muito à medida das novas oportunidades negócio, que irão surgindo. Isto significa, entre outras coisas, mudar de prioridades e preferências dando mais importância e primazia aos factores como a estabilidade institucional e de projecto empresarial que favoreçam o desenvolver profissional continuado. Terão também de identificar e aceitar as novas instituições vencedoras que estão emergindo, independentemente de quem sejam, entendendo que em poucos casos não corresponderão às empresas líderes mais admiradas de outrora.
Alfonso Rebuelta
Managing Partner
Bao Partners / Signium International
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